Know how

O mundo digital é tão presente em tudo que fazemos, que passa a impressão de que esse avanço ocorre de maneira padronizada em todos os setores. Só que isso não é uma realidade. Em muitas áreas, ainda estamos engatinhando e o caminho a ser percorrido é longo e de muito aprendizado.

 

Já falamos aqui sobre o importante papel da tecnologia da informação no gerenciamento de negócios rurais. Algumas propriedades despontam no aporte tecnológico, desde maquinários ultramodernos à softwares de última geração. Vamos dar sequência ao artigo passado e nos ater aos softwares.

 

Considerando as ferramentas disponíveis no mercado e a avaliação dos usuários, alguns pontos de melhoria têm sido relatados.

Os programas apresentam muitas abas ou janelas até que se consiga chegar na informação desejada.

A correlação de informações é rasa e não entrega os insights esperados.

Os clientes utilizam menos de 10% do que é oferecido no pacote de serviços.

A utilização de termos técnicos e nomenclaturas complexas dificultam o entendimento e o uso das aplicações do programa.

 

Os resultados são apresentados com um campo de visão limitado ao que foi diretamente informado nos dados, não permitindo uma avaliação abrangente de respostas que de fato farão diferença no campo. Insights importantes passam despercebidos e a Inteligência Artificial – IA não cumpre seu papel.

 

Como solucionar essas demandas? Eis a questão.

 

A resposta é buscar profissionais especializados de cada área, com foco na complementariedade e usar o “know how” de cada um para oferecer produtos e serviços customizados para as propriedades rurais. Cientistas de dados e consultores do Agro formatando ferramentas estratégicas para atuar dentro da porteira.

 

Margens estreitas, mercado instável, custos elevados, não há espaço para amadorismo. A profissionalização da atividade agropecuária é um caminho sem volta. Engatinhar não é suficiente, a velocidade com que se aprende a andar e correr define quem vai se destacar nas próximas décadas.

 

A informação e a prudência

O cultivo do solo para a produção de alimentos é realizado há milhares de anos. Uma peça fundamental no processo é o uso de fertilizantes. Preparar o solo, adubar e disponibilizar nutrientes em quantidade suficiente para um adequado desenvolvimento das culturas é fundamental para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

 

Na produção de fertilizantes, alguns players se destacam como principais fornecedores e suas relações impactam diretamente nos mercados importadores.

 

Nos deparamos com uma guerra entre Rússia e Ucrânia.

 

As consequências sociais são devastadoras. As questões geopolíticas e comerciais são profundamente afetadas. Os resultados são imprevisíveis.

 

Produzir alimentos permanece sendo uma necessidade essencial. Qual será o impacto deste confronto na produção mundial é uma incógnita. Uma única tomada de decisão pode mudar tudo a qualquer instante.

 

Os principais nutrientes usados nos sistemas produtivos são nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). O gigante da produção agrícola não é autossuficiente nos fertilizantes e depende do mercado externo, 90% do potássio usado na produção brasileira é importado, por exemplo. Os principais países fornecedores são Rússia, Belarus, Canadá e China, responsáveis por 80% da produção de cloreto de potássio do mundo.

 

Os adubos nitrogenados são fornecidos principalmente por China e Rússia.

 

A produção de adubos fosfatados é mais abrangente, com o mercado sendo abastecido por China, Rússia, Arábia Saudita, Marrocos e Estados Unidos.

 

A Rússia é um dos principais produtores globais de fertilizantes (NPK), sendo responsável por suprir aproximadamente 25% da demanda do Brasil.

 

O desabastecimento de um desses macronutrientes pode ocasionar redução da área de produção e/ou aumento dos custos, que vão culminar na elevação de preços para o consumidor final. A quantidade, qualidade e distribuição de alimentos para a população mundial é uma preocupação crescente.

 

Muita especulação, pouca informação. Destinos incertos.

 

Momentos desafiadores criam grandes oportunidades. Por mais dura que seja a realidade.

 

Governos e grandes grupos já estão buscando alavancar a produção em fontes de seu próprio país. Negociações estão sendo expandidas e diversificadas.

 

Novos mercados estão emergindo.

 

Na incerteza dos próximos caminhos, a informação e a prudência são valiosos aliados.

Drª Emanuelle Beatriz

Engenheira agrônoma, mestre e doutora em Sistemas Integrados de Produção Animal.
É produtora rural, consultora do Agro, empresária e uma entusiasta da transferência de conhecimento!

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