(Des) Informação

Vivemos na era da informação com uma facilidade tecnológica para fazer buscas que, como muitos gostam de falar, “o que tanto procura está a apenas um click de você”. Uma estrada que esperamos que seja bem pavimentada, mas nos assusta a quantidade de buracos e desvios que tornam o trajeto bastante tortuoso, para não dizer, perigoso.

Vamos fazer uma analogia. Imagine que você queira fazer uma viagem de carro para um local desconhecido. A primeira providência será obter um mapa, ou melhor, agora usamos o GPS, seja do próprio carro ou do celular, e logo após digitar o destino uma voz gentil irá nos conduzir na direção certa.

No caso das buscas por dados ou informação, não dispomos do direcionamento oferecido pelo GPS, e quem terá que fazer esse papel somos nós mesmos, auxiliados pelo nosso senso crítico, que se espera que tenhamos.

Nesse caso, buscar fontes confiáveis deverá ser nosso primeiro passo, independente do meio que vá ser utilizado, sejam sites, livros ou revistas, dentre inúmeras outras possibilidades. O volume de informação é imenso e os veículos usados são diversos e numerosos. Você já deve ter recebido supostas pesquisas e dados no seu aplicativo de mensagens instantâneas para smartphones, por exemplo.

É realmente fascinante a rapidez com que se consegue acessar conteúdo do tema que quiser a qualquer instante. Resta saber o quanto estamos sendo realmente informados ou munidos de argumentos verdadeiros.

O acesso imediato à informação pode ser facilmente confundido com estar imerso num mar de conhecimento, quando na realidade, estamos apenas molhando a ponta dos pés na água. Antigamente se falava que de médico e louco, todo mundo tem um pouco. Hoje, essa expressão poderia ser generalizada, basta acessarmos o site de buscas, e após ler poucos trechos, já estamos cheios de razão e opinando sobre assuntos que não temos o menor domínio. De culinária a recentes testes com bombas nucleares, nos deparamos com verdadeiras autoridades, por mais que a pessoa nunca tenha se dedicado ao aprendizado do tema em questão.

Falando em bombas, um dos tópicos que virou uma verdadeira zona de risco é o Agro, a produção agropecuária brasileira. São tantas matérias que fica até difícil acompanhar, infelizmente a quantidade não reflete a qualidade, e como em tantas outras áreas, as fake news ou notícias falsas, compreendem grande parte do conteúdo disponibilizado.

Precisamos ser cautelosos na seleção dos canais que usamos para nos informar, buscando por fontes e profissionais que sejam transparentes e comprometidos com os fatos e a verdade, ou corremos um sério risco de ser a geração da desinformação na era da informação. Que paradoxo!

 

 

Drª Emanuelle Beatriz

Engenheira agrônoma, mestre e doutora em Sistemas Integrados de Produção Animal

É produtora rural, consultora do Agro, empresária e uma entusiasta da transferência de conhecimento.

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